Resposta rápida

Dá para trocar de domínio sem perder posição, e o Google documenta como: mapear cada URL antiga para a página equivalente no domínio novo, aplicar redirecionamento 301 página a página, enviar a Alteração de Endereço no Search Console para todas as variantes do domínio antigo (com e sem www, subdomínios inclusive), publicar o novo sitemap e manter os redirecionamentos por pelo menos um ano. O 301 não causa perda de PageRank — está escrito na documentação. O que derruba tráfego é mapeamento errado, cadeia de redirecionamento e trocar tudo direto em produção, sem ambiente de teste.

Última verificação: 9 de setembro de 2026. Todo procedimento desta página foi conferido nas duas páginas oficiais do Google em português — a Ajuda do Search Console e a Central da Pesquisa — com citação literal e link. Onde há relato de terceiro, e não documentação, está marcado como relato.

Quem pesquisa “mudar de domínio sem perder tráfego” encontra a mesma resposta repetida em toda a primeira página: faça um 301 de cada página antiga para a nova. Está certo — e está incompleto. A documentação do Google em português traz cinco pontos que praticamente nenhum desses guias menciona, e é neles que as migrações costumam falhar.

O que quase todo guia erra: a Alteração de Endereço é por variante, não por site

A ferramenta Alteração de Endereço, no Search Console, é o aviso formal ao Google de que o site mudou de endereço. A parte que quase ninguém publica é que ela não é enviada uma vez para “o site” — ela é enviada para cada variante do domínio antigo. A Central da Pesquisa é explícita:

“Envie uma Alteração de endereço para todos os subdomínios e as variantes www e não www do nome do domínio antigo (…), mesmo que você não esteja usando essas variantes ativamente. Verifique se todas essas variantes estão confirmadas no Search Console.”

Central da Pesquisa Google, “Mover um site com mudanças de URL”, consultada em 09/09/2026.

“Mesmo que você não esteja usando essas variantes ativamente” é a frase que muda o trabalho. Antes de enviar qualquer coisa, faça a lista das propriedades a verificar:

  • Domínio raizexemplo.com.br.
  • Com wwwwww.exemplo.com.br, mesmo que ele só redirecione para a raiz.
  • Subdomínios em usoblog., loja., ajuda., painel..
  • Subdomínios que você já usou e abandonou — se houve conteúdo indexado ali algum dia, entra na lista.
  • Variantes por idioma, se existirem — en., es..

Cada uma dessas precisa estar verificada no Search Console antes, porque a ferramenta só aceita origem e destino que você comprove que administra. Quem envia só a propriedade principal deixa metade da migração sem aviso — e depois atribui a queda ao “Google demorando”.

Detalhe que nenhum resultado da primeira página traz: a Alteração de Endereço é reversível. A Ajuda do Search Console diz que “Você pode cancelar essa solicitação até 180 dias após a criação”. Não é uma porta de mão única — o que não significa que dê para ir e voltar sem custo.

Quando NÃO usar a ferramenta Alteração de Endereço

A Ajuda do Search Console mantém uma lista de casos em que a ferramenta não deve ser usada — e o mais comum de todos está nela. Enviar a solicitação nesses cenários não acelera nada; no melhor caso é inócuo, no pior descreve ao Google uma mudança que não aconteceu.

SituaçãoUsar a ferramenta?O que fazer no lugar
HTTP → HTTPS Não Nas palavras da documentação, “O Google detectará as alterações para você”. Faça o 301 para o HTTPS, ajuste os canonical e envie o sitemap novo.
Mover páginas de pasta dentro do mesmo site Não 301 de cada URL antiga para a nova + sitemap atualizado. O endereço do site não mudou.
Remover o www (ou passar a usá-lo) Não 301 de uma variante para a outra e rel="canonical" apontando para a escolhida.
Trocar de hospedagem ou de CDN sem mudar as URLs Não Nada a comunicar ao Google. Suba o site no servidor novo, teste antes de apontar o DNS e mantenha as URLs idênticas.
Trocar de domínio ou de subdomínio Sim É exatamente o caso da ferramenta — com 301, mapa de URLs e envio para cada variante.

Duas restrições adicionais da mesma página valem para quem migra em etapas: não encadear mudanças (enviada uma Alteração de Endereço de A→B, não dá para emendar B→C em seguida) e evitar mover A, B e C ao mesmo tempo para o mesmo destino D — a documentação avisa que isso pode causar confusão e perda de tráfego. Consolidação de vários sites num só pede etapas separadas no tempo.

O mapa de URLs: a etapa que decide se o tráfego sobrevive

O 301 é a parte fácil: são três linhas de configuração. O que dá trabalho — e o que separa migração tranquila de desastre — é decidir para onde cada URL antiga aponta. Esse é o mapa de URLs, e ele se faz antes de tocar em qualquer servidor.

  • Levante todas as URLs que existem hoje. Três fontes se complementam: o relatório de páginas do Search Console (o que o Google conhece), o sitemap atual (o que você declara) e o log de acesso do servidor (o que realmente recebe visita, inclusive o que não está em sitemap nenhum).
  • Mapeie 1:1 sempre que possível. Cada página antiga vai para a página equivalente — mesmo assunto, mesma intenção. Redirecionar em massa para a home é o atalho que a documentação desaconselha por escrito (veja o próximo bloco).
  • Decida o que morre. Página que não tem equivalente e não tem tráfego pode simplesmente retornar 410 ou 404. Forçar um destino ruim é pior do que assumir a remoção.
  • rel="canonical" autorreferente em cada URL de destino, e hreflang atualizado se houver versões por idioma — apontando para as URLs novas, não para as antigas.
  • Atualize os links internos para as URLs novas. Não deixe o 301 fazer esse trabalho: link interno apontando para o domínio antigo cria um salto extra em cada clique e é a origem mais silenciosa de cadeia de redirecionamento.
  • Avise quem aponta para você quando der: parceiros, diretórios, perfis de redes sociais, assinatura de e-mail. O 301 cobre esses links, mas atualizar os principais reduz a dependência dele.

301, cadeia de redirecionamento e o mito do “PageRank perdido”

O medo que a primeira página inteira vende — “vou perder autoridade” — não vem da documentação. Ela diz o contrário, com todas as letras:

“Não se preocupe com o crédito do link. 301 e outros redirecionamentos permanentes não causam perda de PageRank.”

Central da Pesquisa Google, consultada em 09/09/2026.

Se não é o 301 que custa tráfego, o que custa? A mesma página responde, e com números que os guias costumam omitir:

  • Redirecionar muitas URLs antigas para a home vira soft 404. Literalmente: “Não redirecione muitos URLs antigos para um destino irrelevante, como a página inicial do novo site. Isso pode confundir os usuários e ser tratado como um erro soft 404”. Não é “perder um pouco de autoridade”: é o destino não valer como resposta.
  • Cadeia de redirecionamento tem limite prático. O Googlebot “possa acompanhar até 10 saltos”, mas a recomendação é apontar para o destino final e, quando não der, manter a cadeia em “não mais do que três, mas no máximo cinco”.
  • 301 e 308 valem os dois. A documentação recomenda “o uso de redirecionamentos HTTP permanentes, como 301 e 308, sempre que possível” — e coloca o redirecionamento pelo lado do cliente (JavaScript, meta refresh) como último recurso, só quando nenhuma configuração de servidor for possível.
  • Rastreamento não tem prazo fixo. O Googlebot precisa visitar cada URL antiga e cada URL nova pelo menos uma vez, e não há frequência garantida. Site grande demora mais — o que explica por que “já faz duas semanas” não é sintoma de erro.
  • Mudar conteúdo e URL ao mesmo tempo tira de você a capacidade de diagnosticar: se o tráfego cair, não dá para saber se foi o endereço novo ou o texto novo. Migre primeiro, reescreva depois.

180 dias ou um ano? Os três prazos do Google, e o que cada um mede

Esta é a pergunta que a primeira página responde de forma desencontrada — uns dizem seis meses, outros um ano — e a explicação é mais simples do que parece: os dois números estão na documentação oficial, em páginas diferentes, medindo coisas diferentes. São três prazos, não um.

DIA 0 — cutover 180 DIAS 1 ANO 1 · Ferramenta Alteração de Endereço encaminha sinais do site antigo — expira em 180 dias 2 · Redirecionamento 301 no servidor pelo menos um ano — idealmente, indefinidamente 3 · Registro do domínio antigo pago pelo menos um ano — motivo de segurança, não de SEO depois do 180º dia, quem sustenta o tráfego é o 301, não a ferramenta
Os três prazos de uma migração de domínio, segundo a documentação do Google (consultada em 09/09/2026).

180 dias — a janela da ferramenta

É o prazo do Search Console, não do seu servidor. A Ajuda descreve o que a ferramenta faz nesse período e o que acontece depois:

“O Search Console também encaminha vários sinais do site antigo para o novo (…). Essas ações continuam por 180 dias após o início da migração no Search Console.”

“Após o período de 180 dias, o Google não reconhecerá qualquer relação entre o site antigo e o novo e tratará o antigo como não relacionado, se ele ainda existir e puder ser rastreado.”

Ajuda do Search Console, “Ferramenta Alteração de Endereço”, consultada em 09/09/2026.

É daqui que vem o “seis meses” que circula na internet. Não é um número errado — é outro número, de outra coisa. A mesma página, aliás, recomenda manter os redirecionamentos por “pelo menos 180 dias (ou mais, se você ainda receber tráfego da Pesquisa Google)”, o que já aponta para o segundo prazo.

Pelo menos um ano — o redirecionamento no servidor

Esse é o prazo que sustenta o tráfego de verdade, porque não depende de ferramenta nenhuma: enquanto o 301 estiver no ar, quem chegar pela URL antiga chega ao lugar certo.

“Mantenha os redirecionamentos pelo maior tempo possível. Geralmente, esse período é de pelo menos um ano. (…) Da perspectiva do usuário, considere manter os redirecionamentos indefinidamente.”

Central da Pesquisa Google, consultada em 09/09/2026.

Um ano não é superstição: o Googlebot precisa visitar cada URL, sem frequência garantida, e ainda reatribuir os links de terceiros que continuam apontando para os endereços antigos — links em artigos, diretórios e perfis que ninguém vai atualizar por você.

Pelo menos um ano de registro pago — e o motivo não é SEO

“Recomendamos continuar pagando pelo domínio antigo por pelo menos um ano para impedir que outras pessoas o comprem e usem para fins maliciosos.”

Ajuda do Search Console, consultada em 09/09/2026.

Domínio abandonado com histórico é mercadoria: alguém compra, sobe conteúdo de qualidade duvidosa e herda os links que apontavam para a sua marca. É um risco de segurança e reputação, não de posição no Google — e ele explica por que “já migrei, posso soltar o domínio velho” é uma economia cara.

A recomendação prática que sai dos três: mantenha o 301 no servidor por no mínimo um ano, sabendo que o encaminhamento de sinais da ferramenta acaba no 180º dia. E mantenha o registro pago pelo mesmo período, por segurança.

O erro que não está na documentação: trocar de domínio direto em produção

A documentação descreve o procedimento correto; ela não descreve como as empresas erram. Esse pedaço veio de um episódio do podcast Café & Tech de 19/10/2023, sobre estrutura de IPTV, num trecho que não é sobre vídeo: um dos apresentadores conta o caso de um conhecido que trocou o domínio do site sem ambiente de teste, direto no site vivo. O tráfego, segundo o relato, despencou para um décimo do que era.

Relato, não medição. O número acima é uma fala de podcast sobre um terceiro, sem acesso à analytics do site e sem identificação de quem é. Publicamos como “um décimo” porque é o que a fala sustenta — e é assim que ele aparece também no material do parceiro sobre trocar de estrutura sem perder meses. Trate como ilustração de risco, não como estatística.

O que um ambiente de homologação teria pego antes de o site sair do ar:

  • Mapa de URLs incompleto — páginas antigas sem destino, descobertas só quando o visitante encontra o 404.
  • Redirecionamento em loop — a regra do domínio antigo mandando para o novo e uma regra esquecida mandando de volta.
  • noindex de homologação vazando para produção — o caso clássico: o site novo sobe com a tag que impedia o ambiente de teste de ser indexado, e ninguém remove.
  • Sitemap apontando para as URLs erradas — publicado com o domínio antigo, ou com as duas versões misturadas.
  • Links internos absolutos ainda escritos com o domínio velho, criando um salto extra a cada clique.

O checklist mínimo de ambiente, para migração de qualquer tamanho: produção separada de teste, deploy versionado (Git, não arquivo copiado por FTP), rollback pronto antes do cutover e validação do mapa de redirecionamento no ambiente de teste — URL a URL, na amostra que representa o site.

Como ligar o 301 na prática, por stack

Chega da teoria. O que segue é o redirecionamento de domínio inteiro preservando o caminho da URL — que é o que você quer em 90% das migrações: dominioantigo.com.br/pagina vai para dominionovo.com.br/pagina, não para a home. Teste no ambiente de homologação antes de aplicar em produção.

Apache — .htaccess

RewriteEngine On
RewriteCond %{HTTP_HOST} ^(www\.)?dominioantigo\.com\.br$ [NC]
RewriteRule ^(.*)$ https://dominionovo.com.br/$1 [R=301,L]

O $1 é o que preserva o caminho. Evite a forma curta Redirect 301 / https://dominionovo.com.br/ aplicada à raiz sem cuidado: dependendo de como o restante do arquivo está escrito, ela é justamente o caminho mais rápido para jogar o site inteiro na home — o cenário de soft 404 descrito acima.

Nginx

server {
    listen 443 ssl;
    server_name dominioantigo.com.br www.dominioantigo.com.br;
    return 301 https://dominionovo.com.br$request_uri;
}

O $request_uri carrega caminho e query string. Duas observações que economizam suporte: o domínio antigo precisa continuar com certificado SSL válido, senão o visitante bate num aviso de segurança antes do redirecionamento; e o bloco do domínio antigo tem que existir enquanto o 301 for necessário — ou seja, por pelo menos um ano.

WordPress

No WordPress o redirecionamento é a parte menor. A ordem que funciona:

  • Atualize WP_HOME e WP_SITEURL (em wp-config.php ou nas configurações) para o domínio novo.
  • Trate as URLs absolutas gravadas no banco — conteúdo, imagens, campos personalizados e opções serializadas guardam o domínio antigo por escrito. Uma substituição feita com um SQL cru quebra os campos serializados; use uma ferramenta de search-replace que respeite a serialização, e faça backup do banco antes.
  • Deixe o 301 no servidor (Apache/Nginx, como acima), não só num plugin de redirecionamento: plugin depende do WordPress carregar, e você quer o redirecionamento respondendo mesmo com o site velho já desligado.

Cloudflare / CDN

Na borda, o redirecionamento é uma regra de redirect do domínio antigo para o novo preservando o caminho. O cuidado específico é a cadeia: borda → origem → destino final são três saltos, e basta uma regra antiga de httphttps no meio para virar quatro. Antes de publicar, siga a cadeia inteira de uma URL de amostra e confirme que ela termina em um salto sempre que possível — a recomendação da documentação é apontar direto para o destino final.

Como testar: em qualquer stack, o teste é o mesmo — pedir a URL antiga e ler os cabeçalhos, sem seguir o redirecionamento automaticamente. Um curl -I https://dominioantigo.com.br/pagina tem que devolver 301 e um Location com a URL equivalente no domínio novo. Repita numa amostra que cubra home, categoria, página interna, artigo antigo e uma URL com query string.

Ordem de execução (checklist do cutover)

  1. Prepare o site novo em ambiente de teste, com noindex — e anote em algum lugar visível que ele precisa ser removido na publicação.
  2. Valide o mapa de URLs em homologação: cada URL antiga da amostra levando à equivalente, sem loop e sem cadeia longa.
  3. Verifique todas as variantes do domínio antigo e do novo no Search Console (raiz, www, subdomínios).
  4. Publique o site novo — e confirme que o noindex saiu.
  5. Ligue os 301 no domínio antigo, preservando o caminho.
  6. Teste uma amostra de URLs pela Inspeção de URL do Search Console e pelos cabeçalhos HTTP.
  7. Envie a Alteração de Endereço para cada variante do domínio antigo.
  8. Envie o novo sitemap na propriedade do domínio novo, e mantenha o sitemap antigo acessível por um tempo para o Google reprocessar as URLs velhas.
  9. Acompanhe cobertura e desempenho nas duas propriedades por algumas semanas — a antiga caindo e a nova subindo é o comportamento esperado.
  10. Mantenha os 301 por pelo menos um ano, e o registro do domínio antigo pago pelo mesmo período.

Uma ressalva honesta para fechar: a documentação do Google fala em flutuação durante a migração. Prometer “zero perda de tráfego” seria vender o que ninguém controla. O que o procedimento acima entrega é o oposto do improviso — e é por isso que ele cabe num checklist.

Ver também

Assista ao episódio completo do Café & Tech no YouTube: “Melhor Estrutura para IPTV em 2023 Completa — Ep 02”. O episódio é sobre estrutura de IPTV; o trecho citado nesta página está em 33:47.