Transmitir câmera IP ao vivo: do RTSP ao multistreaming passo a passo
Josimar Machado, CEO da JMV Technology, explica como transmitir câmeras IP e DVR ao vivo para redes sociais e plataformas simultaneamente.
Resposta rápida

Câmeras IP e DVRs transmitem vídeo internamente via RTSP — um protocolo que redes sociais e plataformas não aceitam diretamente. Para ir ao ar ao vivo, é necessário um intermediário (encoder local como o OBS, encoder de hardware ou servidor em nuvem) que consome o stream RTSP da câmera, reencoda em H.264 e empurra via RTMP ou SRT para a plataforma de destino. Com a plataforma certa, esse processo roda em nuvem: sem computador ligado, sem abrir porta no roteador e com multistreaming simultâneo para YouTube, Facebook, Instagram e seu próprio site. O aviso de quem opera isso há 25 anos: Josimar Machado, fundador da JMV, resume que "câmera IP não foi feita para streaming — ela foi feita para segurança". Ela transmite, e é a ferramenta certa para vigilância, monitoramento contínuo e câmera de apoio; para ser a câmera principal de um culto ou evento, o encoder dedicado é o caminho.

Câmeras IP estão em igrejas, lojas, estúdios, condomínios e eventos — e boa parte delas já grava em H.264, tem saída RTSP e upload suficiente para ir ao ar ao vivo. O que falta, quase sempre, é entender a cadeia técnica entre o sinal da câmera e o espectador. Este guia cobre essa cadeia inteira, do protocolo ao multistreaming.

RTSP, RTMP e SRT: o que cada protocolo faz

Três protocolos dominam o fluxo de vídeo de câmeras IP ao vivo. Confundi-los é o erro mais comum de quem começa:

Protocolo Função Direção do fluxo Latência típica
RTSP Câmera → servidor/encoder (rede local ou VPN) Pull (servidor puxa da câmera) < 1 s (LAN)
RTMP Encoder → plataforma de streaming Push (encoder envia) 250 ms – 3 s
SRT Encoder → plataforma (redes instáveis) Push com retransmissão 80 – 300 ms

RTSP (Real-Time Streaming Protocol) é o padrão de câmeras IP: quem quer ver o vídeo puxa o stream da câmera pela URL rtsp://. Browsers e redes sociais não falam RTSP — por isso o encoder existe no meio do caminho.

RTMP (Real-Time Messaging Protocol) é o protocolo de ingestão das plataformas: YouTube, Facebook Live, Instagram e a maioria dos servidores de streaming aceitam RTMP como entrada. O encoder pega o RTSP da câmera, reencoda e empurra via RTMP.

SRT (Secure Reliable Transport) é a evolução para contribuição profissional: opera sobre UDP com retransmissão automática de pacotes perdidos (ARQ), entregando menor latência e maior resiliência que o RTMP sobre TCP — essencial em redes com perda de pacotes ou jitter (links 4G/5G, campo, satélite). O protocolo é open-source e mantido pela Haivision sob a SRT Alliance, com suporte nativo em FFmpeg, OBS Studio e encoders profissionais.

Regra prática: câmera → RTSP → encoder → RTMP/SRT → plataforma. Se tudo está na mesma rede local, RTSP é suficiente para visualizar. Para publicar ao vivo na internet, precisa do encoder no meio — local ou em nuvem.

Requisitos da câmera e do DVR

Antes de configurar qualquer encoder, confirme que seu equipamento atende os três requisitos mínimos:

  • Codec de vídeo H.264 — padrão compatível com praticamente todas as plataformas. H.265/HEVC é mais eficiente em banda mas exige reencoding no encoder antes de enviar para redes sociais, que ainda não aceitam H.265 diretamente.
  • Saída RTSP habilitada — quase toda câmera IP moderna tem. Acesse a interface web da câmera (geralmente em http://IP-da-câmera), procure em Configurações → Rede → RTSP e copie a URL. O formato mais comum é rtsp://usuario:senha@IP:554/stream1, mas varia por fabricante.
  • Codec de áudio AAC — necessário se a câmera tem microfone e você quer transmitir o áudio. Câmeras que só exportam G.711 (padrão de telefonia) precisam de transcodificação de áudio no encoder.
  • Opção de desabilitar o áudio — o requisito que quase ninguém lista e que derruba transmissão já no ar. Câmera IP com AAC é rara no mercado brasileiro; se a sua não tem, ela precisa deixar você desligar o áudio na configuração. Sem AAC e sem desligar, o normal é a live sair muda ou o stream quebrar no meio.
Josimar Machado, fundador da JMV, já dizia isso em 2015: "é muito difícil você encontrar a câmera IP no Brasil com áudio AAC […] é necessário que a sua câmera tenha opção de desabilitar o áudio. Se ela não tem codec AAC, você tem que desabilitar o áudio dela." Ele observa que a limitação vale até para as speed dome mais caras, usadas em monitoramento de vias e cidades. Para transmissão com áudio de verdade — culto, evento, aula — o som sai da mesa de som para o encoder, não do microfone da câmera.

DVR e NVR funcionam do mesmo jeito e seguem exatamente as mesmas exigências — saída RTSP, vídeo H.264 e áudio AAC (ou áudio desabilitado). Cada canal tem sua própria URL RTSP. A URL inclui o número do canal, por exemplo rtsp://admin:senha@IP:554/cam/realmonitor?channel=2&subtype=0 para o canal 2 em stream principal. Verifique o manual do fabricante para o formato exato — Intelbras, Hikvision, Dahua e Axis têm convenções diferentes.

Como descobrir a URL RTSP quando o manual não ajuda

Quando o manual não traz o caminho ou o modelo é genérico, o ONVIF Device Manager resolve: é uma ferramenta gratuita que varre a rede local, encontra os dispositivos compatíveis com o padrão ONVIF e mostra os perfis de mídia de cada um — incluindo a URI RTSP do stream principal e do substream, com a resolução e o codec configurados. É o atalho para não ficar testando caminhos por tentativa e erro.

Com a URL em mãos, o teste de sanidade antes de configurar qualquer encoder é abrir o link no VLC e conferir se o vídeo está mesmo em H.264, qual é o bitrate real e se existe faixa de áudio AAC. O passo a passo está no guia da JMV Stream sobre como verificar o link RTSP da câmera IP no VLC.

Stream principal vs. substream

A maioria dos equipamentos exporta dois streams: o stream principal (alta resolução, maior bitrate — Full HD ou 4K) e o substream (resolução reduzida, ideal para transmissão quando o link de upload é limitado). Para live na internet, o substream muitas vezes é suficiente e economiza banda.

Caminho 1: encoder local com OBS

O OBS Studio é gratuito, open-source e funciona no Windows, macOS e Linux. Para usar com câmera IP via RTSP:

  1. Em Fontes, clique em + e selecione Fonte de mídia (não "Dispositivo de captura de vídeo" — esse é para webcam USB).
  2. Desmarque Arquivo local.
  3. No campo Entrada, cole a URL RTSP da câmera: rtsp://usuario:senha@IP:554/stream1.
  4. Marque Reiniciar quando inativo — o OBS vai reconectar automaticamente se a câmera reiniciar ou o sinal cair.
  5. Em Configurações → Transmissão, selecione o serviço (YouTube, Facebook etc.) ou Personalizado para inserir o servidor RTMP e a chave de stream da plataforma.
  6. Configure o encoder de saída: codec H.264, bitrate constante (CBR), keyframe a cada 2 segundos.
Importante: o computador com OBS precisa ficar ligado durante toda a transmissão. Para câmeras que ficam ao vivo 24 horas (monitoramento contínuo, lojas, igrejas), o encoder em nuvem é mais prático — veja abaixo.

O OBS resolve bem para eventos pontuais, cultos semanais e transmissões onde há um operador no local. Para múltiplas câmeras IP simultâneas, o OBS adiciona uma fonte de mídia separada para cada câmera — mas o processamento de CPU aumenta proporcionalmente.

Caminho 2: encoder em nuvem (sem PC local)

No modelo de encoder em nuvem, um servidor remoto acessa a URL RTSP da câmera, faz o reencoding e distribui para as plataformas — tudo sem depender de hardware local ligado. A câmera IP precisa estar acessível da internet: ou com IP público e porta RTSP aberta (menos seguro) ou via VPN (recomendado).

Vantagens práticas:

  • Nenhum computador ligado no local — a câmera consome energia, o encoder roda na nuvem.
  • Multistreaming nativo: uma URL RTSP distribuída para YouTube, Facebook, Instagram e player próprio em paralelo.
  • Gestão centralizada de múltiplas câmeras em locais diferentes a partir de um painel.
  • Sem preocupação com falha de computador local, atualização de SO ou queda de energia no escritório.

É exatamente esse o modelo que a Sitehosting oferece no serviço de streaming para câmera IP: você configura a URL RTSP da câmera no painel, escolhe os destinos e o servidor cuida do resto.

Rede e upload — o gargalo invisível

A câmera pode estar configurada impecavelmente, mas se o upload do local for insuficiente ou instável, a live trava. Os números práticos:

Resolução Bitrate de vídeo Upload mínimo recomendado
480p (SD) 1.000 – 2.000 kbps ~4 Mbps
720p (HD) 2.500 – 4.000 kbps ~8 Mbps
1080p (Full HD) 5.000 – 8.000 kbps ~16 Mbps
4K (câmeras de segurança) 15.000 – 25.000 kbps ~50 Mbps

A regra: tenha pelo menos o dobro do bitrate de transmissão em upload disponível e estável. Oscilações naturais da rede consomem a margem — sem ela, qualquer variação derruba o stream.

Por que a câmera IP gasta mais banda para a mesma imagem

A tabela acima vale para um sinal comprimido por um encoder decente. Sai da câmera IP direto e os números pioram — e o motivo não é a resolução, é quem faz a compressão. Um encoder (o OBS num computador, um encoder de hardware ou um encoder em nuvem) tem processador e memória dedicados a comprimir vídeo. O chip que cabe dentro de uma câmera de segurança não tem: ele foi dimensionado para gravar vigilância em disco, não para espremer um stream que vai atravessar a internet.

O efeito prático é uma relação bitrate × resolução ruim: para chegar na mesma qualidade de imagem, a câmera precisa jogar bem mais bits na rede do que um encoder precisaria.

A regra de bolso do fundador, de 2015. Josimar Machado, fundador da JMV, explicava já em 2015 que uma qualidade obtida com "300, 400 kbps feita via encoder comum" podia exigir "1 M, 2 Mbps" quando quem comprime é a própria câmera IP. E ele mesmo colou a ressalva na frase seguinte: "não existe uma regra fixa para mim poder citar ela aqui, porque cada câmera tem a sua qualidade, resolução, etc. Mas eu só tô falando que fica muito prejudicado essa relação bitrate versus resolução." Trate isso como ordem de grandeza da operação da JMV, não como benchmark: o número certo da sua câmera só aparece medindo o stream dela.

Isso muda três decisões de projeto: (1) dimensione o upload olhando o bitrate que a sua câmera realmente emite, não o da tabela genérica; (2) o substream deixa de ser plano B e vira o padrão quando o link é apertado; (3) se a imagem precisa ficar boa de verdade — evento, culto, aula gravada —, o dinheiro rende mais num encoder do que numa câmera mais cara. Na época do vídeo, o comparativo do fundador era com um computador de escritório (Core i3/i5 com 4 GB de RAM); a referência de hardware envelheceu, o princípio não.

Para câmeras IP em locais com link fraco (campo, rural, eventos externos), a solução é usar o substream da câmera (resolução menor, bitrate menor) ou um encoder com bonding de links 4G/5G, que agrega múltiplas conexões e distribui os pacotes entre elas.

Outra limitação real: DVRs com múltiplos canais em RTMP só conseguem transmitir um canal por vez no protocolo RTMP nativo (confirmado em equipamentos Intelbras). Para transmitir múltiplos canais ao vivo simultaneamente, o encoder externo (OBS ou nuvem) é necessário — ele recebe cada canal via RTSP separado e compõe a transmissão final.

Multistreaming: uma câmera, várias plataformas

Multistreaming é transmitir simultaneamente para YouTube Live, Facebook Live, Instagram, Twitch e seu próprio site a partir de um único sinal de câmera. Existem dois modelos:

  • Multistream local — o OBS ou encoder de hardware duplica o stream para vários destinos RTMP ao mesmo tempo. Exige upload multiplicado: 3 destinos a 4 Mbps cada = 12 Mbps de upload mínimo.
  • Multistream pelo servidor — você envia um único stream para a plataforma intermediária, que redistribui para todos os destinos no lado do servidor. Você gasta o upload de apenas um destino; o restante é responsabilidade da plataforma. É o modelo mais eficiente e o que a Sitehosting usa.

Para câmeras de monitoramento ou transmissão contínua (lojas ao vivo, igrejas, estúdios), o multistream por servidor é o único que escala: sem sobrecarregar o link do local e sem depender de hardware ligado 24 horas.

Confira as opções de streaming de vídeo ao vivo da Sitehosting e como o multistreaming funciona na prática.

Casos de uso: segurança, monitoramento e eventos

Segurança e vigilância ao vivo

Câmeras IP de CFTV transmitidas ao vivo permitem monitoramento remoto em tempo real — sem depender de acesso ao DVR/NVR via aplicativo proprietário, que exige VPN ou abertura de portas. A live pública ou privada (player com senha) vira o canal de monitoramento acessível de qualquer navegador. Casos típicos: garagens de condomínios, halls de entrada, câmeras externas de estabelecimentos.

Escolas e creches: transmissão para os pais

É um dos usos em que a câmera IP é a ferramenta certa, e não um paliativo — o fundador da JMV já citava esse caso em 2015 como um dos mais comuns entre os clientes: escolas que transmitem salas de aula e creches para os pais acompanharem à distância, sem áudio. Dispensar o áudio elimina exatamente o ponto mais frágil da câmera IP (a falta de AAC) e, do ponto de vista de privacidade, não captar conversas de crianças, professores e funcionários é o comportamento desejável, não uma limitação.

Na prática, a transmissão fica num player privado, com acesso controlado por senha ou login dos responsáveis — nunca aberta ao público. É esse o formato do serviço de streaming para câmera IP, que já atende monitoramento de creches.

Gravação em servidor remoto: a imagem sobrevive ao furto do equipamento

Quem transmite a câmera para um servidor de streaming pode gravar essa transmissão fora do local. A consequência é um argumento de segurança que o DVR na parede não dá: nas palavras do fundador da JMV, "mesmo que ele seja destruído ou furtado, as suas imagens estão salvas em um servidor remoto". Se o invasor leva ou quebra o gravador, ele leva a mídia local — não a cópia que já subiu. Para comércio, obra e instalação remota, isso costuma valer mais do que a resolução da câmera.

Transmissão de igrejas e eventos religiosos: apoio, não câmera principal

Aqui vale ser direto, porque é a pergunta que mais chega: dá para transmitir um culto só com as câmeras de segurança que já existem, mas não é o que a JMV recomenda. O fundador registrou isso em 2015 — "a gente tem muitos clientes que querem fazer transmissão de sessões legislativas, eventos, cultos, missas com câmera IP. A gente não recomenda" — pelos dois motivos que este guia já detalhou: a relação bitrate × resolução e a indisponibilidade de áudio AAC.

Três limitações somam-se a essas quando o assunto é culto, e o AI Overview do Google as lista igualmente (consultado em setembro de 2026, sem citar fonte): taxa de quadros baixa — o próprio AI Overview afirma que câmeras de segurança gravam tipicamente a 15 quadros por segundo ou menos, o que deixa o movimento travado; dificuldade com pouca luz e com luz variável, como a de projetor e refletor de palco; e áudio ruim, porque o microfone embutido capta o ambiente e o eco, não a mesa. São características esperadas de equipamento feito para vigilância — confira a taxa de quadros no manual do seu modelo antes de contar com ela.

A leitura correta, então, é complementar × principal. Câmera IP como câmera de apoio: plano aberto da nave, visão geral do público, entrada da igreja, transmissão simples de reunião de semana. Câmera principal do culto: encoder com câmera de vídeo e áudio vindo da mesa de som — é a mesma separação que o AI Overview faz ao indicar encoder para "transmissões ao vivo profissionais, eventos corporativos, cultos religiosos, shows e esportes". Igrejas que já têm câmeras PTZ instaladas para a operação presencial estão num caso intermediário confortável: a PTZ é feita para enquadrar movimento e costuma sustentar o papel de apoio com folga, e às vezes o de principal em transmissão simples — o teste do VLC diz em que pé está a sua.

Seja qual for o arranjo, o encoder distribui para YouTube, Facebook e o player próprio do site da igreja, com chat integrado e controle de acesso. Veja como a Sitehosting atende transmissão ao vivo para igrejas.

Eventos presenciais com câmera IP: fonte de ambiente

Em locais que já têm infraestrutura de câmeras IP, esse sinal entra na produção ao vivo como fonte adicional — nunca como a única. Em seminários, aulas híbridas e eventos corporativos menores, a câmera IP serve de câmera de ambiente ou visão geral do espaço, complementando a câmera principal, e o encoder faz o corte entre as duas. Para o evento inteiro em uma câmera só, a conta de banda e o risco do áudio recomendam o encoder com câmera dedicada.

Para eventos completos com múltiplas câmeras, switcher e produção profissional, veja também o guia de streaming de eventos da Sitehosting.

Monitoramento ao vivo de operações

Indústrias, fazendas, obras e instalações remotas usam câmeras IP transmitidas ao vivo para supervisão de operação em tempo real — acesso pelo celular ou TV do gestor, sem depender do app do DVR. O streaming de vídeo da Sitehosting entrega o player responsivo que funciona em qualquer dispositivo, sem instalar aplicativo.

IA em câmeras IP ao vivo

A inteligência artificial entrou de forma concreta nas câmeras IP — não como promessa, mas como recurso embarcado disponível em modelos atuais de fabricantes como Intelbras, Hikvision, Dahua e TP-Link VIGI. As aplicações reais relevantes para quem vai transmitir ao vivo:

  • Detecção de pessoas e veículos na borda (Edge AI) — câmeras com processamento de IA embarcado detectam presença humana, veículos e objetos específicos antes de enviar o vídeo. Isso permite acionar transmissão ao vivo automaticamente só quando há movimento relevante — economia de banda e armazenamento.
  • Analytics de contagem e fluxo — câmeras com visão computacional contam pessoas em tempo real (fluxo de entrada em lojas, ocupação de auditório), dado que aparece sobreposto ao vídeo transmitido ou enviado para painel de gestão.
  • Reconhecimento de placas e faces — câmeras inteligentes identificam veículos e, onde legalmente permitido, faces — e podem acionar alertas ou gravações seletivas sem transmitir conteúdo desnecessário.
  • Melhora de imagem em baixa luz — algoritmos de IA aplicados no processador da câmera reduzem ruído e melhoram clareza em cenas noturnas, entregando um stream mais limpo para transmissão ao vivo do que câmeras convencionais com IR simples.

O ângulo de IA é especialmente relevante para quem transmite câmeras de segurança ao vivo: em vez de transmitir 24 horas contínuas (alto custo de banda), as câmeras inteligentes com detecção de borda podem acionar a transmissão só nos momentos com atividade — reduzindo o custo da live sem perder os momentos que importam.

O vídeo que originou esta seção

Boa parte do que está acima — a tese sobre para que a câmera IP foi feita, a conta de banda, o requisito do áudio desabilitável, os casos de escola e de gravação remota — vem de um vídeo gravado pelo fundador da JMV em janeiro de 2015, quando a empresa já atendia clientes que queriam transmitir câmera IP e DVR. Ele está no canal da JMV Technology e dura 5min28s.

Vídeo gravado em janeiro de 2015. Os requisitos de codec e protocolo continuam valendo — H.264, AAC e saída RTSP são exatamente os mesmos em 2026. As referências de hardware da época (computador de escritório com 4 GB de RAM), não: leia-as como o exemplo daquele momento, não como especificação atual.

Assista ao vídeo completo no YouTube: "Streaming por Câmera IP? Streaming para DVR? Transmissão de Câmera IP e DVR pela Internet" — Josimar Machado, 24/01/2015, 5min28s.

O que o vídeo cobre, por trecho

  • 00:47 — A tese: câmera IP não foi feita para streaming
  • 00:58 — Por que a câmera IP gasta mais banda para a mesma imagem
  • 01:43 — A ressalva do autor: não existe regra fixa
  • 01:56 — Por que a JMV não recomenda câmera IP para culto e evento
  • 02:19 — Áudio: sem AAC, desabilite o áudio da câmera
  • 03:26 — Saída RTSP: o requisito imprescindível
  • 04:06 — Gravação em servidor remoto contra furto do equipamento
  • 04:36 — Escolas e creches: transmissão para os pais
  • 04:52 — DVR segue as mesmas regras

Transcrição do vídeo de 2015

Transcrição revisada para leitura, com os horários apontando para o trecho correspondente no vídeo. Foram corrigidos os erros da transcrição automática — "áudio AC" para AAC, "encuder" para encoder e "Core 2 D du" para Core 2 Duo, entre outros —, preservando a fala. Também disponível como arquivo de legendas em formato WebVTT.

Abrir a transcrição completa (5min28s)

00:00 Olá pessoal, tudo bem? Aqui é o Josimar e hoje eu quero falar sobre câmera IP, streaming com câmera IP, transmissão de câmera IP, ah, usando streaming, certo?

00:10 Primeiro, como que funciona a câmera IP? Por si só, ela não faz streaming. Quando você tem acesso remoto via internet de uma câmera IP, é um algum tipo de DNS, certo, que você configura na câmera IP

00:21 para você ter acesso remoto dela, ok? Então isso aí você não precisa de streaming. Se você quiser só acessar sua câmera IP remotamente, você vai contratar um software, provavelmente da

00:31 câmera IP, que é gratuito e não precisa você gastar dinheiro, certo? Para que que você vai usar o streaming da câmera IP? Você vai usar ele quando você precisa fazer uma transmissão para

00:40 vários usuários simultâneos, algum evento, alguma coisa assim, certo? Então esse é o primeiro ponto. O segundo ponto que eu gostaria de deixar claro é que câmera IP não foi feito para streaming.

00:52 Faz, faz. Mas a câmera IP é um sistema de segurança, ela foi feita para segurança, ela não foi feita para streaming. Ah, só um um comparativo.

01:01 Imagine você que para você fazer uma transmissão em média qualidade hoje, você precisa de um computador com a força aí de um Core i5, mais ou menos, com 4 GB de RAM, Core i3, Core 2 Duo, mas

01:12 um computador relativamente robusto para conseguir encodar isso, fazer a compactação e enviar pro servidor, certo? Agora imagina se uma câmera IP tem um processador desse, ela não tem,

01:23 ela não consegue fazer isso. Então o que que acontece? A relação bitrate versus resolução fica muito ruim. Então para você conseguir uma qualidade aí de 300, 400 kbs e feito via encoder comum, né?

01:37 Ah, em uma câmera IP, você vai precisar transmitir a 1 M, 2 Mbps, entendeu? Eh, não existe uma regra fixa para mim poder citar ela aqui, porque, né, cada câmera tem a sua qualidade, resolução, etc. Mas

01:50 eu só tô falando que fica muito prejudicado essa relação bitrate versus resolução. Perfeito.

01:56 Eh, outro ponto é que a gente tem muitos clientes aqui na empresa que querem fazer transmissão de sessões legislativas, eventos, eh, cultos,

02:08 missas, etc., com câmera IP, né? Então, a gente não recomenda. Por que que a gente não recomenda? Por conta dessa relação, né, bitrate versus a resolução e por conta também

02:19 da da indisponibilidade do áudio. É muito difícil você encontrar a câmera IP no Brasil com áudio AAC, né? Então eu vou entrar nos requisitos. Se mesmo assim você quiser fazer uma transmissão de

02:31 câmera IP, for impossível num lugar, instalar um equipamento, né? Então beleza. Então você precisa ter um codec de vídeo H.264. A câmera IP tem obrigatoriamente que ter esse codec de

02:42 vídeo e um codec de áudio AAC. Perfeito. Então, eh, com a sua câmera tendo esses dois codecs, você consegue transmitir áudio e vídeo eh usando streaming, fazendo um restreaming, que a gente que

02:54 a gente chama, tá bom? Ah, normalmente o pessoal transmite só o vídeo, porque igual como eu disse, é bem difícil encontrar uma câmera que tem a codec de áudio AAC, mesmo essas câmeras speed dome,

03:06 né, que são câmeras bem caras, que é mais usada para monitoramento de de vias e e cidades, etc. Certo? Ah, então nesse caso, é interessante, não é? É

03:18 necessário que a sua câmera tenha opção de desabilitar a o áudio da câmera.

03:23 Perfeito? Então, se ela não tem um codec AAC, você tem que desabilitar o áudio dela. E o mais imprescindível é que a sua câmera tem que ter saída RTSP. Perfeito. RTSP. Saída com

03:34 protocolo RTSP. Por quê? Porque como que funciona? Ela fornece esse endereço RTSP e o servidor de streaming através desse RTSP busca o áudio, o vídeo, certo? e faz um restreaming disso e disponibiliza

03:47 para todas as plataformas aí já para ilimitados usuários simultâneos de acordo com a quantidade que você espera atender. Perfeito? Então, recapitulando os pontos, não tente usar câmera IP para

03:59 fazer transmissão de evento, tá? Eh, o recomendado é você usar um encoder, um equipamento de captura. Perfeito. Eh, mas se você não tiver alternativa, se for para usar em segurança, se for para

04:10 fazer gravação, por exemplo, a gente tem clientes que usa a câmera IP para fazer gravação.

04:16 Ah, a gravação como assim? Por exemplo, ah, você vai fazer a transmissão de uma de uma de um equipamento de segurança e você grava a imagem desse equipamento de

04:28 segurança. Então, mesmo que ele seja eh destruído ou furtado alguma coisa, as suas imagens estão salvas em um servidor remoto. Perfeito. Outra utilidade que eu recordei aqui, que a gente tem bastante,

04:39 é a monitoramento de escolas, né? Então tem muita escola que faz aquele monitoramento de salas de aula, de creches, certo, para disponibilizar para os pais, no qual não precisa de áudio.

04:49 Então esse aí é bem recomendado, esse tipo de situação. Outro ponto que pode fazer também é com DVR, tá? Eu tava esquecendo de falar, mas você pode também tá utilizando o DVR para fazer a

04:59 transmissão, mas ele segue essas mesmas recomendações, saída RTSP, Codec de vídeo H.264 e Codec de áudio AAC.

05:08 Perfeito. Bom, a dica de hoje é essa aí para quem quer transmitir com câmera IP.

05:13 Se você gosta aí do da da nossas dicas, curta o nosso canal ou a nossa fanpage que está aqui no rodapé. E qualquer dúvida que você tiver, pergunte aqui no canal. Eu vou fazer questão de tentar

05:22 responder a maior quantidade de perguntas possíveis, tá bom? Então, obrigado, um grande abraço e até a próxima. Yeah.

Para saber mais sobre as opções de streaming de vídeo e como integrar câmeras IP ao sistema de transmissão ao vivo da Sitehosting, entre em contato com nossa equipe.