Resposta rápida

Não existe valor fixo de AdSense por mil visitas — o que o Google publica é a divisão da receita. O dono do site recebe 80% do que chega ao AdSense depois que a plataforma do anunciante cobra a taxa dela e, quando a compra é feita pelo Google Ads, fica com "cerca de 68% da receita", porque o Google Ads retém em média 15% do gasto do anunciante. Desde 2 de novembro de 2023 o pagamento é por impressão (eCPM), não por clique. Logo, R$ 1.000 gastos no seu site devolveriam perto de R$ 680 — e receber R$ 30 não significa que o Google ficou com 97%: significa que quase nada daquele dinheiro foi servido ali.

Quem coloca o código do Google no site da emissora e olha o relatório no fim do mês faz sempre a mesma pergunta: quanto isso deveria estar pagando? A resposta honesta é que ninguém pode te dar um valor por mil — nem o Google, que é quem paga. O que existe, é oficial e quase não circula em português é a outra metade da pergunta: qual fatia do dinheiro do anunciante chega até você.

Este artigo publica essa fatia com a fonte e a data, mostra a aritmética completa de R$ 1.000 até a sua conta e ensina o cálculo inverso — o que serve para responder a pergunta que realmente incomoda: o anunciante diz que gastou mil reais no meu site; por que caíram trinta?

O número oficial que ninguém publica em português

As frases abaixo foram copiadas da página "Participação na receita do Google AdSense", da Central de Ajuda, em 28 de setembro de 2026:

"Na exibição de anúncios com o AdSense para conteúdo, os editores recebem 80% da receita depois que a plataforma do anunciante recebe a taxa, seja ela uma plataforma de compra do Google ou de terceiros."

"Por exemplo, quando os anunciantes usam o Google Ads para comprar anúncios de display no AdSense, os editores ficam com cerca de 68% da receita."

"O Google AdSense paga aos editores um custo efetivo por mil impressões (eCPM) pelos lances do anunciante."

"Essas porcentagens são consistentes, independentemente da localização geográfica do editor. Além disso, elas não são calculadas com base em uma média entre editores."

A origem dos dois percentuais está num post do blog oficial do Google de 2 de novembro de 2023, assinado por Dan Taylor, Vice President, Global Ads — também relido em 28/09/2026. É ali que aparece o pedaço que falta para a conta fechar:

"For example, when Google Ads purchases display ads on AdSense, Google Ads will retain on average 15% of advertiser spend. There are variations because Google Ads does not take a fixed, per-impression fee, as many advertisers choose to pay based on user actions, like a click or conversion. Overall, publishers will continue to keep about 68% of the revenue."

Duas precisões que quase todo mundo erra.

  • Os 15% não são uma comissão fixa. O texto oficial escreve "on average" e explica o motivo: o anunciante pode pagar por clique ou por conversão, e não por impressão. Dizer "o Google fica com 15%" como número exato é impreciso. O que o Google assina é a outra ponta: cerca de 68% ficam com o dono do site.
  • Os 68% só valem quando a compra é pelo Google Ads. Se o anunciante comprou por uma plataforma de terceiro, o editor fica com 80% depois da taxa dessa plataforma — e o percentual final é desconhecido. Voltamos a isso mais abaixo.

Duas ressalvas do próprio documento merecem estar aqui, porque elas limitam o alcance do número: "Não divulgamos a participação na receita de todos os produtos do Google AdSense" — ou seja, o 80%/68% vale para o AdSense para conteúdo, não para tudo — e "Se o seu site está vinculado a um parceiro da plataforma Google AdSense, há uma outra participação na receita além daquela do Google".

Por que "quanto paga por 1000" não tem resposta

Procure "quanto o AdSense paga por 1000 visitas" e a primeira página do Google devolve, em 28/09/2026, um bloco de fórum, duas calculadoras e três blogs — com faixas que não conversam entre si:

Faixa publicadaTipo de fonteMoeda e ano
US$ 0,30 a US$ 2,50blog de terceirodólar, 2024
US$ 8 a US$ 20portal de câmbiodólar, sem data na página
€ 10 a € 32calculadora (Portugal)euro, 2026
US$ 9,20 a US$ 14,10 por nichoblog de terceirodólar, 2022
nenhum valorCentral de Ajuda do Google—

Repare no que a tabela realmente mostra. Não é só que as faixas divergem — é que elas estão em moedas e anos diferentes, o que torna qualquer comparação direta uma conta frouxa. Mesmo convertendo tudo para a mesma base e o mesmo ano, a distância entre a menor e a maior continua sendo de uma ordem de grandeza. E a única fonte primária da página, a Central de Ajuda do Google, simplesmente não dá número — o próprio buscador marca aquele resultado com a etiqueta Missing: 1000.

Isso não é descuido de quem escreveu. É a consequência de um fato: o preço por mil impressões é resultado de leilão. Ele depende do assunto da página, do formato do bloco, da época do ano, de quem está do outro lado da tela e de quantos anunciantes disputaram aquela impressão. Um site de receitas em dezembro e um site de notícia local em fevereiro não têm o mesmo eCPM, e nenhum dos dois tem o eCPM do site de tecnologia americano que serviu de base para a faixa do blog que você leu.

A pergunta que tem resposta é a sua. A fórmula é oficial, está na Central de Ajuda do AdSense e é uma linha só:

Impression RPM = (Estimated earnings / Impressions) * 1000

Traduzindo para a rotina da emissora: pegue os ganhos estimados do período, divida pelo número de impressões e multiplique por mil. O resultado é quanto o seu site paga por mil — o único número que você pode levar para uma mesa de negociação sem estar chutando.

A conta do R$ 1.000 que virou R$ 30

Com a divisão oficial na mão, a aritmética de uma campanha comprada pelo Google Ads fica assim:

Fluxo do dinheiro: o anunciante gasta R$ 1.000 no Google Ads, que retém em média 15%; chegam R$ 850 ao AdSense e o dono do site recebe 80% disso, R$ 680 Anunciante gastano Google AdsR$ 1.000,00 Google Ads retémem média 15%− R$ 150,00 Chega ao AdSense(receita do leilão)R$ 850,00 Dono do site: 80%disso — cerca de 68%R$ 680,00 Valores ilustrativos da divisão oficial publicada pelo Google; a média de 15% varia conforme o modelo de cobrança do anunciante.
A divisão é a mesma em qualquer país — o que muda entre mercados é o eCPM do leilão, não a fatia.
EtapaValor
Anunciante gasta no Google AdsR$ 1.000,00
Google Ads retém, em média, 15% do gasto− R$ 150,00
Chega ao AdSenseR$ 850,00
Dono do site recebe 80% dissoR$ 680,00
Google, somando as duas pontas~ R$ 320,00

Agora o caso que dá título a este texto. No episódio que originou o artigo, o CEO da JMV Technology conta um experimento que fez com uma emissora parceira, para uma palestra do setor, antes da pandemia:

"Na época eu lembro que eu anunciei R$ 1.000 no canal do YouTube e no site desse parceiro de rádio nosso e faz sabe quanto que passou para esse parceiro nosso? R$ 30. […] Eu peguei o valor que eu investi naquele tempo que eu investi naquele canal e em contrapartida, eu peguei quanto que ele faturou naquele canal. Podia até ter o faturamento de outras campanhas também. […] Então assim, era um absurdo o valor que o Google fatura em cima."

(dado citado no podcast — a confirmar). É um teste próprio, sem data precisa, sem auditoria e com a ressalva do próprio autor de que o faturamento do parceiro podia incluir outras campanhas. Não é benchmark de mercado e não deve ser usado como um. Ele entra aqui por um motivo melhor: porque a conclusão que se tira dele à primeira vista — "o Google ficou com 97%" — está errada, e desfazer isso é o que este artigo tem a oferecer.

Pela divisão oficial, R$ 1.000 gastos naquele inventário devolveriam algo perto de R$ 680. Se chegaram R$ 30, o que a conta indica não é uma taxa monstruosa: é que só cerca de R$ 44 do gasto do anunciante foram servidos naquele site (R$ 30 ÷ 0,68). Os outros R$ 956 foram para o resto da rede — outros sites, outros canais, outros aplicativos.

E esse é o ponto que muda a conversa comercial da emissora: uma campanha de Google Ads não é a compra de um espaço na sua casa. É um leilão distribuído, em que o anunciante compra audiência com um perfil, não o seu inventário. O sistema entrega onde for mais barato encontrar aquela pessoa, e o seu site é uma fração disso.

O método: ler o relatório contra o que o anunciante diz ter gasto

  1. Pegue o relatório do AdSense do período — impressões e ganhos estimados daquele site.
  2. Calcule o RPM com a fórmula oficial: ganhos ÷ impressões × 1.000.
  3. Peça ao anunciante o valor gasto e a segmentação da campanha dele no período.
  4. Divida os seus ganhos por 0,68 para estimar quanto do gasto dele foi servido no seu site.
  5. Leve a diferença para a mesa. Ela é, literalmente, o seu argumento de venda direta: "no meu inventário, 100% do que você investe aparece aqui".

Ressalva obrigatória do passo 4. O cálculo inverso é estimativa, não fórmula exata. Os 15% do Google Ads são média declarada — variam conforme o anunciante pague por clique, por conversão ou por impressão — e, se a compra tiver vindo de plataforma de terceiro, o divisor correto nem é 0,68. Use o resultado como ordem de grandeza para a conversa, nunca como número contratual.

Por impressão, não por clique: o que mudou em 2023

Por muitos anos o AdSense pagou o editor principalmente por clique. Isso mudou no anúncio de 2 de novembro de 2023:

"AdSense will soon transition from primarily paying publishers per click to the display industry standard of paying per impression."

Para um site de notícia local, a diferença é prática. No modelo por clique, uma matéria muito lida rendia pouco se ninguém clicava no anúncio, e o editor ficava refém do comportamento do leitor. No modelo por impressão, o que conta é a página ser vista com o anúncio carregado — o que valoriza o que a emissora já faz bem: audiência constante, muitas páginas por visita, gente voltando todo dia. Também muda o que faz sentido medir: impressões visíveis, não cliques.

Uma honestidade necessária: o próprio Google escreveu no mesmo post que, "based on our tests, we don't expect publishers to see a change in their earnings as a result of these updates". A mudança é de unidade de medida e de transparência, não uma promessa de que passou a pagar mais.

A parte da conta que o Google não mostra

Há dois pontos da cadeia em que o número deixa de ser público — e os dois estão declarados pelo próprio Google.

1. Compra por plataforma de terceiro. Nem todo anúncio que aparece no seu site foi comprado pelo Google Ads. Quando vem de outra plataforma de compra, a regra é: o editor fica com 80% da receita depois que essa plataforma cobrou a taxa dela. E, textualmente:

"Google does not control or have visibility into the fees that these third-party platforms charge advertisers or how they calculate them."

Consequência direta: para essas compras, não existe um "cerca de 68%". Existe 80% de um valor cujo tamanho ninguém na cadeia se compromete a te informar. O percentual final sobre o gasto do anunciante é simplesmente desconhecido.

2. Parceiro da plataforma. A Central de Ajuda registra que "se o seu site está vinculado a um parceiro da plataforma Google AdSense, há uma outra participação na receita além daquela do Google". Isso alcança quem publica o site por meio de um fornecedor que intermedia a monetização — situação comum em emissora que contratou um pacote pronto e nunca leu o contrato dessa parte. Vale conferir: a própria Central indica o caminho para ver a sua participação dentro da conta, em Conta → Configurações → Informações da conta → "Produtos ativos".

Some os dois e fica claro por que a resposta "quanto o AdSense paga" nunca poderia vir de uma tabela: além do leilão variar, a fatia que chega até você depende de por onde a compra entrou.

AdSense ou anúncio direto?

Este artigo não existe para decidir isso por você — e a tese genérica ("venda direta rende mais") já está em todo lugar. O que falta é a comparação com números reais, e ela cabe em uma linha: compare o eCPM líquido do AdSense (o seu RPM, calculado com a fórmula acima) com o CPM que você cobra do comércio local pelo mesmo espaço e no mesmo período.

Três coisas que a conta sozinha não mostra e pesam na decisão:

  • No direto, 100% do investimento é servido no seu inventário. É exatamente o inverso do que a conta do R$ 1.000 revelou — e é o argumento mais forte que uma emissora tem para vender.
  • O relacionamento é seu. O anunciante local renova com quem ele conhece; o leilão não renova nada, e você nem sabe quem anunciou.
  • O AdSense é ótimo preenchendo o que não foi vendido. Espaço vazio não gera receita nenhuma; espaço automático gera alguma. A decisão prática quase nunca é "um ou outro", é onde cada um entra.

Para montar o preço da venda direta e provar resultado depois, dois textos do blog da JMV Stream tratam do assunto no inventário de web TV: como vender anúncio na web TV, com os formatos e o mídia kit, e como provar resultado ao patrocinador. Para saber que número levar ao anunciante antes disso, veja ouvintes simultâneos ou views.

A ponte com o vídeo: 55% lá, cerca de 68% aqui. A mesma pergunta existe do lado do YouTube, e a divisão publicada é outra: 55% da receita de anúncios para o criador na página de exibição — o número está no artigo irmão quanto o YouTube paga por 1 milhão de visualizações, que traz a conta completa do lado do vídeo com extrato real de um canal de emissora. Ou seja: a divisão do AdSense no site é mais generosa que a do vídeo — o que não significa que renda mais, porque o eCPM de cada leilão é diferente. São produtos distintos, com contas distintas.

Existe um erro que aparece antes de qualquer discussão de eCPM: o site da emissora que reserva o melhor espaço da página para um banner "Anuncie aqui". É espaço vazio anunciando vazio — e ele comunica ao visitante, ao anunciante e ao próprio Google exatamente a mesma coisa: aqui ninguém comprou.

No episódio, o diagnóstico vem do próprio apresentador, sobre o radialista que trata o digital como despesa:

"Ah, não, meu digital, bota um banner lá. A culpa é sua, radialista: você não profissionaliza seu negócio, você tá achando que o negócio é pagar menos."

E logo depois, sobre o que hoje é o faturamento digital de muita emissora: "eu vendo o banner que eu coloco na minha rede social, no site. Então, se eu tenho tanto seguidor, eu vou lá. Isso é o faturamento digital dos caras hoje. É impressionante." No episódio irmão da mesma temporada — O Futuro da Rádio, publicado em 30/10/2025 —, a mesma crítica aparece resumida na frase sobre depender "dos centavinhos que o Google paga".

O que fazer com esse espaço enquanto ele não está vendido tem três saídas melhores que o "Anuncie aqui", e nenhuma delas depende de leilão:

  1. A sua própria programação. O programa da tarde, o podcast da casa, o app da rádio. É inventário seu vendendo produto seu.
  2. A captura do ouvinte. Cadastro da promoção, lista de transmissão, alerta do sorteio — porque a base própria é o que faz o anúncio direto valer mais depois. Esse caminho está detalhado em monetizar a rádio com a base de ouvintes.
  3. O AdSense como preenchimento — que é justamente o papel que a divisão oficial sustenta: alguma receita onde havia zero, sem ocupar a posição que você quer vender direto.

O episódio que deu origem a este artigo

Este texto nasceu de um trecho do episódio "O Poder do Google e Instagram para Ganhar Dinheiro com Anúncios na Rádio — JMV ADS", do podcast Café & Tech, publicado pelo canal da JMV Technology em 28 de agosto de 2025 (1h13min12s), com Mário Sérgio, consultor de soluções da JMV, e Josimar Machado, CEO da JMV Technology. O episódio inteiro é uma aula sobre como Google e Meta ganham dinheiro com publicidade e como a emissora pode ocupar esse lugar na própria região. Aqui cobrimos só o recorte do AdSense no site.

Nota editorial (apuração de 28/09/2026). A divisão de receita, a média de 15%, a mudança para pagamento por impressão e a fórmula de RPM não são falas do episódio: foram apuradas na documentação do próprio Google e estão linkadas acima, com a data de leitura. Do podcast vêm o relato do experimento (marcado como dado a confirmar) e o diagnóstico sobre o banner. A conclusão de que "o Google ficou com 97%", dita no episódio, é justamente o que a apuração corrige.

Trechos citados do episódio (transcrição revisada)

"Hoje, gente, é o seguinte: é uma aula de marketing digital para a rádio. […] Isso aqui que a gente vai falar hoje é explicando como que funciona o Google para valer." — a abertura, que define o escopo do episódio.

"O Google criou um sisteminha que chamava Google AdSense. Ele existe até hoje e é ele que remunera os youtubers, por exemplo, e os donos de site."

"O Google AdSense é o seguinte: você é youtuber, você tem um site, vai lá e coloca um banner do Google. […] No site você vai lá e cadastra no Google AdSense, pega um código JavaScript […] Esse site vai exibir anúncios que o Google quer."

"Alguém, alguma agência, alguma empresa, alguma pessoa física quer anunciar no Google: ela cadastra no Google Ads, vai lá, coloca R$ 1.000 para anunciar. […] Eu quero anunciar esses R$ 1.000 só na rádio de São Paulo."

"Eu fiz esse experimento foi justamente para poder fazer a palestra da SET Expo, lá em 2019 ou 2020, não sei. Foi antes da pandemia." — a origem e a datação imprecisa do experimento.

"Na época eu lembro que eu anunciei R$ 1.000 no canal do YouTube e no site desse parceiro de rádio nosso e faz sabe quanto que passou para esse parceiro nosso? R$ 30. […] Podia até ter o faturamento de outras campanhas também. […] Então assim, era um absurdo o valor que o Google fatura em cima."

"Ah, não, meu digital, bota um banner lá. A culpa é sua, radialista: você não profissionaliza seu negócio, você tá achando que o negócio é pagar menos."

"Eu vendo o banner que eu coloco na minha rede social, no site. Então, se eu tenho tanto seguidor, eu vou lá. Isso é o faturamento digital dos caras hoje. É impressionante."

"O bolo tá lá; roubaram um pedaço do seu bolo, que você só tirava pedido. Agora você tem que aprender a trabalhar igual esses caras para você tirar um pedacinho do bolo deles também."

Transcrição automática do YouTube revisada para leitura e pontuada — o áudio grafa "JMV" como "DMV/GMV", "Josimar" como "Josmar/Jasmar" e "AdSense" como "AdS/EDS/Adicense". Falas do episódio de 28/08/2025. Nenhum número da divisão de receita citado neste artigo vem da transcrição: todos foram apurados na documentação do Google, com a data de leitura registrada no texto.

Ver também

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