Resposta rápida

Em plataforma de app para rádio, as tabelas brasileiras consultadas em 17/10/2026 vão de R$ 35,00 a R$ 349,90 por mês, conforme Android, iOS e o que vem junto. Sob medida não tem tabela, e as IAs divergem de R$ 8 mil a mais de R$ 150 mil. Some US$ 99/ano da Apple e US$ 25 únicos do Google. E pergunte: em qual conta o app fica?

Quem pesquisa “quanto custa um aplicativo para rádio” encontra duas coisas: páginas de planos de fornecedores, cada uma com o seu preço, e respostas de IA que dão faixas tão largas que não ajudam a decidir. As duas deixam de fora a parte que mais pesa no bolso a médio prazo: quanto custa sair. E o custo de sair é decidido por uma pergunta que quase nenhuma página de preço responde: em qual conta de desenvolvedor o app da rádio é publicado.

Este texto junta as duas metades. Primeiro, a régua de mercado, com preço lido nas páginas oficiais e data da leitura. Depois, as regras escritas das lojas — da Apple e do Google — que tornam a pergunta da conta obrigatória para qualquer emissora que vá contratar um app.

Os três caminhos, lado a lado, com preço de tabela

Há três jeitos de uma rádio ter app nas lojas: assinar uma plataforma de app para rádio, receber o app incluso num plano de streaming ou mandar desenvolver sob medida. A tabela abaixo mostra exemplos de preço público de cada caminho. Não é ranking nem recomendação: é a régua do mercado no dia da consulta, e preço de tabela muda.

Preços lidos nas páginas oficiais dos fornecedores em 17/10/2026, na moeda original, sem conversão de câmbio. Valores sujeitos a alteração pelos fornecedores.
CaminhoExemplo de tabela públicaEm qual conta o app é publicado, segundo a própria página
Plataforma de app para rádio (mensalidade)RadioApp: só iOS R$ 99,90/mês; iOS + Android R$ 129,90/mês. Aplicativo para Rádio: Android nativo R$ 45,90/mês; Premium R$ 99,90/mês; app nativo para iPhone/iPad só no plano de R$ 199,90/mês. RadioKing: Android a partir de 29/mês, iPhone + Android 69/mês, Premium 99/mês (em dólar ou euro).RadioApp: “Publicação na sua Conta Apple”. RadioKing: os apps exigem a conta Apple (US$ 99/ano) e a conta Google (US$ 25 uma vez) do cliente; publicar por eles é opcional, por 50 euros por publicação (inclusa só na 1ª publicação do Premium).
Plataforma com conta dividida entre as lojasHoost: Initials R$ 35,00/mês (Android no Google Play); Advanced R$ 55,00/mês (acrescenta a App Store); Expert R$ 75,00/mês (acrescenta a Microsoft Store).Android “na conta desenvolvedora da Hoost”; iOS em conta própria do cliente, com os US$ 99 pagos pelo cliente à Apple. É o exemplo concreto de que a resposta pode ser diferente em cada loja.
App incluso no plano de streamingUHOST: app Android no plano Prata, R$ 229,90/mês; iOS no plano Ouro, R$ 349,90/mês, “com a publicação na App Store inclusa”.A página recomenda perguntar em qual conta o app será publicado, mas não diz em qual conta a própria UHOST publica.
Sob medida (agência ou freelancer)Sem tabela pública. Orçamento por escopo.Normalmente a do cliente — se o contrato disser.

Duas leituras saem dessa tabela. A primeira: Android e iOS costumam ter preços diferentes, e o iPhone quase sempre está no plano mais caro — confira se o valor que você viu inclui as duas lojas. A segunda: a última coluna varia de fornecedor para fornecedor, e às vezes de loja para loja dentro do mesmo fornecedor. É ela que define o que acontece no dia em que a rádio quiser mudar de fornecedor.

Por que ninguém concorda sobre o preço do app “do zero”

Fizemos a mesma pergunta — quanto custa criar o app de uma rádio para Android e iPhone, e se vale mais desenvolver do zero ou usar uma plataforma pronta — a três assistentes de IA no mesmo dia, 17/10/2026. As respostas para o app sob medida:

  • Visão geral do Google (AI Overview): R$ 8 mil a R$ 40 mil para uma versão inicial só de áudio, de 2 a 4 meses de prazo e manutenção de 15% a 20% ao ano.
  • ChatGPT: R$ 8 mil a R$ 20 mil para um app simples, R$ 25 mil a R$ 60 mil para um avançado e mais de R$ 150 mil para uma plataforma que atenda várias rádios — com o aviso de que são estimativas, não cotação.
  • Perplexity: R$ 80 mil a R$ 150 mil ou mais.

Para o mesmo app, o piso de uma resposta é dez vezes o piso da outra. E nenhuma das fontes que o AI Overview citou para esse número era sobre app de rádio: eram artigos genéricos sobre “quanto custa um aplicativo”. A conclusão útil não é escolher uma das faixas — é que “quanto custa” sem escopo não tem resposta. Player com áudio em segundo plano, notificação, conteúdo sob demanda, painel de gestão, integração com o site: cada item muda o orçamento. O mesmo vale para frases como “a plataforma pronta é imbatível para 95% das rádios”, que apareceu numa dessas respostas: é frase da IA, não estatística.

O que as três concordam: para uma rádio individual, a plataforma pronta costuma ser o caminho de entrada, e fazer do zero só se justifica quando o app precisa de algo que nenhuma plataforma entrega. É a mesma conclusão do episódio do Café & Tech que deu origem a este texto, em que o desenvolvimento do zero é descrito como caro justamente porque não é só o player — é a integração com o site, os recursos de participação e o painel para controlar tudo isso. Há ainda o risco que o episódio aponta no desenvolvedor solo: o app precisa de manutenção, e quem entregou pode já estar em outro projeto.

O que é taxa da loja e o que é taxa do fornecedor

Seja qual for o caminho, alguém paga as lojas. Os valores oficiais:

  • Apple: o Apple Developer Program custa “99 USD per membership year” — US$ 99 por ano de assinatura, com o valor em moeda local exibido na inscrição. ONG, instituição de ensino credenciada e órgão de governo podem pedir isenção (fee waiver), o que interessa a rádio comunitária ou educativa que cumpra os requisitos da Apple.
  • Google: a taxa de registro do Google Play é de US$ 25, paga uma vez (“one-time registration fee”). Não é anual — uma correção que já fizemos, inclusive sobre o que o nosso próprio episódio dizia, em Android vai bloquear APK?.

Na Apple, a conta de empresa tem uma exigência que serve de prova: a organização precisa ser uma entidade legal (a Apple não aceita nome fantasia nem filial), ter número D-U-N-S, e “your organization’s name will be displayed as the seller name of your apps on the App Store”. Ou seja, o nome do vendedor na ficha do app na App Store mostra em qual conta ele está. Se aparecer o nome do fornecedor e não o da rádio, o app não é da rádio.

A regra da Apple que decide em nome de quem o app fica: diretriz 4.2.6

As App Review Guidelines (versão com “Last Updated: October 16, 2026”) têm um item que trata exatamente do app feito a partir de modelo — que é como funciona a maioria das plataformas de app para rádio:

“4.2.6 Apps created from a commercialized template or app generation service will be rejected unless they are submitted directly by the provider of the app’s content. These services should not submit apps on behalf of their clients and should offer tools that let their clients create customized, innovative apps that provide unique customer experiences. Another acceptable option for template providers is to create a single binary to host all client content in an aggregated or ‘picker’ model (…)”

“4.2.6 Apps criados a partir de um template comercial ou de um serviço gerador de apps serão rejeitados, a menos que sejam enviados diretamente pelo dono do conteúdo do app. Esses serviços não devem enviar apps em nome dos clientes e devem oferecer ferramentas para que os clientes criem apps personalizados e inovadores, com experiências únicas. Outra opção aceitável para os fornecedores de template é criar um único binário que hospede o conteúdo de todos os clientes, num modelo agregado ou de ‘seletor’ (…)”

Em português de dono de rádio: quem monta o app a partir de um modelo não deveria enviá-lo à App Store em nome da emissora, pela conta dele. Quem envia é o dono do conteúdo — a rádio, pela conta da rádio. A saída que a Apple aceita para o fornecedor é outra coisa: um único app “vitrine” com várias rádios dentro. Nesse modelo, a sua emissora não tem app próprio na loja; ela é um canal dentro do app de outra empresa.

Essa regra explica por que há fornecedores que pedem a conta Apple do cliente — a RadioApp anuncia publicação na conta Apple do cliente, a RadioKing diz que o app exige a conta do cliente, e a Hoost escreve que a Apple exige que a publicação seja feita em conta própria do cliente. A pergunta para o seu fornecedor, então, não é se ele “consegue” publicar o app na App Store; é em qual conta ele vai publicar, e se isso está de acordo com a 4.2.6.

No Google Play não há uma regra equivalente escrita com essa clareza, e este texto não vai inventar uma. O que existe é o lado Google do mesmo risco, na política de spam, no item de conteúdo repetitivo: “Creating multiple apps with highly similar functionality, content, and user experience. If these apps are each small in content volume, developers should consider creating a single app that aggregates all the content.” Um app de uma tela só, igual a dezenas de outros publicados na mesma conta, é o tipo de app que essa política descreve — não é proibição de publicar para terceiros, mas é um risco que fica com quem é dono da conta.

Conta no CPF ou no CNPJ: os 12 testadores por 14 dias do Google

Se a rádio decidir ter a própria conta no Google Play — o que, pelo que vimos acima, é o caminho que deixa o app com ela —, o tipo de conta muda o prazo. A Central de Ajuda do Play Console diz:

“Developers with personal accounts created after November 13, 2023, must run a closed test for their app with a minimum of 12 testers who have been opted in continuously for at least 14 days.”

“Desenvolvedores com contas pessoais criadas depois de 13 de novembro de 2023 precisam rodar um teste fechado do app com no mínimo 12 testadores inscritos de forma contínua por pelo menos 14 dias.”

  • Conta aberta no CPF do dono da rádio: antes de publicar, é preciso reunir 12 pessoas — ouvintes, equipe — testando o app por 14 dias seguidos. Isso entra na conta do “quanto tempo leva”, ao lado do custo.
  • Conta de organização, no CNPJ: não cai nesse teste, mas passa pela verificação de identidade do desenvolvedor e pelo número D-U-N-S. O que muda com a verificação de desenvolvedor do Android, e quanto tempo ela pode levar, está em Android vai bloquear APK?.

Trocar de fornecedor: o que vai junto com o app e o que se perde

É aqui que a pergunta da conta vira dinheiro. Um app na loja acumula coisas que não estão no código: ouvintes que instalaram, avaliações, a ficha da loja que aparece na busca. O que acontece com isso quando o app muda de conta está nas páginas oficiais.

No Google Play, segundo a página de transferência de apps:

  • vão junto “your apps’ users, download statistics, ratings and reviews, content ratings, and store listing information” — usuários, estatísticas de download, notas e avaliações, classificação de conteúdo e a ficha da loja;
  • não vão os relatórios de exportação, de pagamento e de ganhos (“bulk export reports, payout reports, and earnings reports won’t transfer with the app”);
  • se a conta de destino for nova, ela paga os US$ 25 de registro.

Na Apple, pelos critérios de transferência do App Store Connect, a transferência é feita entre as duas contas: os dois lados precisam estar com os acordos aceitos, o app precisa ter ao menos uma versão publicada na App Store e não pode estar em pré-venda nem em determinados status de processamento ou revisão.

A consequência prática é simples: se o app está na conta do fornecedor, sair depende de o fornecedor iniciar a transferência. Se ele não quiser, demorar, ou se a empresa fechar, a rádio recomeça do zero — ficha nova, nenhuma avaliação, e o ouvinte tendo de achar e baixar outro app. Esse é o custo de saída que não aparece na mensalidade.

Cláusula sugerida para o contrato do app: “O aplicativo é publicado na conta de desenvolvedor da EMISSORA na App Store e no Google Play. Caso seja publicado em conta do FORNECEDOR, o FORNECEDOR se obriga a iniciar a transferência do aplicativo para a conta indicada pela EMISSORA em até N dias após o término do contrato, por qualquer motivo.” Defina o N, e leve o texto para o seu advogado adaptar ao seu contrato.

Checklist: seis perguntas antes de assinar

Pergunte por escrito a qualquer fornecedor de app para rádio:

  1. Em qual conta de desenvolvedor o app sai, na Apple e no Google?
  2. Quem paga os US$ 99 por ano da Apple, e quem cuida da renovação?
  3. A mensalidade inclui as atualizações anuais exigidas pelas novas versões de Android e iOS?
  4. Quanto custa e quanto demora cada publicação e cada atualização?
  5. O que acontece com o app se eu cancelar: vocês transferem? Em quanto tempo?
  6. Tem fidelidade? Qual a multa?

A primeira pergunta decide o peso das outras. Com o app na conta da rádio, trocar de fornecedor é trocar quem atualiza o app. Com o app na conta do fornecedor, trocar de fornecedor pode ser começar de novo.

E antes do “quanto custa fazer”, vale a pergunta do “quanto custa manter” — duas lojas, atualização de sistema, conteúdo novo que dê motivo para o ouvinte abrir o app. Esse lado está em por que o ouvinte desinstala o app da rádio (e o que faz ele manter).

Assista ao episódio completo

Este texto nasceu do episódio “Aplicativo de Rádio: Como Monetizar sua Rádio Online com JMV News”, do podcast Café & Tech, publicado pelo canal da JMV Technology em 3 de abril de 2025 (67 minutos), com Mário Sérgio, consultor de soluções da JMV, e Josimar Machado, CEO da JMV Technology. O episódio trata também de monetização e do produto JMV News; este artigo cobre só o recorte do custo do app, a partir dos 21 minutos.

Nota editorial (apuração de 17/10/2026). O raciocínio do episódio — app feito do zero é caro, e montar o app a partir de módulos prontos derruba esse custo — foi mantido. Os números que ele traz ficaram de fora:

  • O valor citado para o desenvolvimento do aplicativo base da própria empresa e os percentuais de custo depois da modularização são estimativas internas, sem lastro público. Não foram publicados aqui.
  • A conversa fala em licenças de publicação “por ano” no Google e na Apple e num total em reais para as duas. A taxa do Google é única, não anual, e o total citado não fecha com US$ 25 + US$ 99; os valores oficiais estão na seção taxas da loja.
  • A oferta comercial mencionada no episódio era, nas palavras dele, temporária, e não é apresentada aqui como condição vigente.
Trechos citados do episódio (transcrição revisada)

21:05 — "Eles pecam na escolha da solução e principalmente no fato de achar que um aplicativo bom é um aplicativo caro." — Mário Sérgio. E a resposta: "De fato, Mário, um aplicativo bom é um aplicativo caro." — Josimar Machado, sobre o app feito do zero.

21:30 — "Porque não é só o aplicativo. O aplicativo é integrado com o site do cara." — Josimar Machado, sobre o que entra no custo de um app de rádio completo.

22:55 — "A gente criou módulos e frameworks aqui no nosso desenvolvimento. Então, na hora que a pessoa quiser um aplicativo, (…) a gente só vai juntar os módulos." — Josimar Machado, sobre o app modular frente ao sob medida.

23:48 — "Quando você contrata um desenvolvedor solo (…) muitas vezes o cara some, e aí precisa de manutenção, que é o problema. O cara some, o cara faz outro projeto, já recebeu, tchau." — o risco do desenvolvedor solo.

Transcrição automática do YouTube, revisada para corrigir erros de reconhecimento de fala (o áudio grafa "JMV" como "GMV" e "Josimar" como "Josmar") e pontuada para leitura. Falas do episódio de 03/04/2025.

Ver também

Vai contratar o app da sua rádio e quer as seis perguntas respondidas antes de assinar? Fale com a gente pelo WhatsApp (11) 4063-8923.